Agricultores/as

Rosângela e Luis Carlos

Rosângela de Souza Paiva, 45 anos e Luís Carlos de Paiva, 54 anos são o alicerce de sua família que vive no Bairro Cardoso em Poço Fundo, Minas Geais. Os dois trabalham a mais de 20 anos com a cafeicultura orgânica e há 21 anos, com a produção de hortaliças. Começaram a fazer consórcios com as lavouras de café e em seguida, investiram no plantio da horta. O apreço pelas hortaliças passou de geração e os filhos do casal – Fernanda, Franciele e Luís Paulo, são hoje partes desta diversificação da produção e comercialização.

Eles contam que já fizeram feiras em Pouso Alegre e há 05 anos comercializam pelo PAA Institucional junto ao IFSULDEMINAS. E, atualmente, fazem parte da rede de comercialização de orgânicos criada pela COOPFAM. Eles relembram que, quando começaram com as hortaliças e coincidia o cultivo com o período da panha do café, pensaram em desistir porque a safra sobrecarregava o trabalho da família. No entanto, perceberam que, parar de produzir hortaliças, implicava no não consumo destes alimentos tão essenciais à saúde e à qualidade de vida. Por isto, mantiveram a produção para consumo e comercializavam o excedente.

Saúde; proteção da vida e do meio ambiente; e, mudança de mentalidade. São o que representam para Rosângela, Luís Carlos e família a proposta que eles tem como missão de produzir na agricultura orgânica. Acreditam que esta produção visa ao equilíbrio em todas as formas de vida e para a manutenção das mesmas.

Para a família, a importância na cadeia curta de produção está no vínculo gerado entre quem consome e quem produz por meio da confiança. É instigante para Rosangela e Luís Carlos entender e conhecer melhor quem busca pelos seus produtos; o incentivo que isto traz para a diversificação da produção; e a amizade que se forma, em querer cuidar do outro a partir da alimentação de qualidade.

Rosângela e Luís Carlos possuem a certificação participativa pelo SPG Sul de Minas desde 2014 e, o que eles mais valorizam deste processo é o protagonismo dos saberes locais e a troca de experiência que há entre os(as) agricultores(as). Também, tem a questão da confiança e rastreabilidade para se fortalecerem no mercado com seus produtos.

Todo este trabalho que é desenvolvido em equipe fortalece a agricultura familiar. A união é a base da responsabilidade compartilhada e solidária que há na produção de hortaliças, desde o plantio até a parte de receber os pedidos, realizar as entregas e fazer a gestão. O filho e as filhas do casal, assim como seus pais, veem como incentivo este protagonismo que possuem; uma forma de incentivar a sucessão rural e a permanência no campo.

Rosângela, Luís Carlos e toda a família, desejam que todas as pessoas que consomem e forem consumir seus alimentos tenham a consciência desta responsabilidade compartilhada, da valorização da agricultura familiar e de prevenção à saúde. A alimentação é saúde e todo este trabalho e este cuidado coletivo forma uma grande família, é gratificante; para eles, é parte da Cadeia do Bem!

Flávia e Márcio

Flávia Maria Penha Silva Gonçalves, 38 anos e Márcio de Paiva Gonçalves, 42 anos, são um casal que têm na agricultura orgânica o propósito da produção de alimentos em sua propriedade, que está localizada no Sítio Gonçalves, em Poço Fundo – MG.

Desde 2003, eles produzem no sistema do manejo orgânico; começaram a produção de hortaliças consorciada junto ao plantio de café, por ver uma alternativa para fonte de renda. À época, precisaram trabalhar muito a conscientização das pessoas sobre o consumo dos alimentos orgânicos e construir uma relação de confiança com quem sempre buscou pelos seus produtos nas feiras em que participavam. Respeito, cuidado com a natureza e com o ecossistema, foram motivação no trabalho com a agricultura orgânica. Começaram com a feira de orgânicos em Pouso Alegre e depois a participarem de chamadas públicas para o PAA e o PNAE. Atualmente, além das vendas institucionais, comercializam na Feira Orgânica da COOPFAM, e também, com entregas de cestas nas cidades de Poços de Caldas, Machado e Campestre.

A motivação para a continuidade com a produção orgânica, vem do estreitamento da relação que há entre eles e quem consome seus produtos. Para Flávia e Márcio, é importante o reconhecimento que há por parte dos seus consumidores da qualidade de seus produtos e na geração de renda que há a partir da produção. E também, a questão da saúde, a garantia de que não há risco para as pessoas que consomem seus produtos, de mesmo modo que, não há risco para sua família, ao produzir o alimento.

Flávia e Márcio possuem o certificado de sua produção de hortaliças orgânicas vinculada ao Sistema Participativo de Garantia de Qualidade Orgânica do Sul de Minas (Orgânicos Sul de Minas). Possuem a Certificação Participativa desde 2015. Para eles, o certificado é símbolo de garantia, confiança e rastreabilidade para quem consome os seus produtos, somada à toda uma história do trabalho na agricultura familiar.

O casal sente uma imensa alegria ao ver que famílias vão buscar pelos seus alimentos para iniciar a alimentação de uma criança, de um bebê, pois, é a garantia de que o alimento é saudável. “É como se fosse uma recompensa por todo o esforço que temos por uma produção mais difícil. Então, para nós, é gratificante saber que o produto de nosso trabalho está fazendo com que as pessoas que os consomem, adquiram saúde, imunidade e bem estar”.

Regina

Maria Regina Mendes Nogueira, 49 anos, vive no Sítio Vargem do Amparo junto ao seu esposo, Carlinhos.

É na propriedade deles, ao redor da casa, que Regina possui seus quintais produtivos com a produção de rosas e hortaliças orgânicas há cerca de 06 anos. É o pedacinho de terra que ela nomeou de “Recanto Sonho Meu”. Regina também é produtora de Café Orgânico Feminino – COOPFAM.

Desde que começou o plantio, Regina utiliza do sistema de manejo orgânico. Ela comercializava com vizinhos e amigos o excedente do que plantava para o consumo da família. Com incentivo do Projeto HortMOBI: Semeando Autonomia, ela passou a ter uma maior variedade de alimentos e começou também a comercializar seus produtos por meio da Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA HortMOBI). O projeto e as vendas foram incentivos para que fosse certificada sua horta neste ano de 2021.

Regina vê na agroecologia a união do cuidado com a natureza e do cuidado com a família para a produção de alimentos saudáveis. Por isto, para ela a importância na produção orgânica está na segurança alimentar, na saúde, ao consumir um alimento sem agrotóxicos. Outro ponto importante é o cuidado com a terra.

A comercialização direta para a Regina tem seu ponto positivo no acesso fácil aos alimentos e na qualidade deles, pois as pessoas irão consumir produtos mais frescos. E esta comercialização é possível via certificação participativa. Regina acredita que a importância no certificado está na garantia para quem consome, de que o produto é realmente isento de qualquer tipo de agrotóxico.

Regina quer que as pessoas tenham a certeza e a segurança sobre os alimentos adquiridos, por isso, ela nos diz que “Eu quero passar o desejo que eu tenho de estar fornecendo às pessoas, os mesmos alimentos saudáveis que eu consumo para mim e para a minha família! Que eles tenham a segurança naquilo que eles estão consumindo, que é uma fonte de saúde!”

Claudimar

Claudimar de Paula, 45 anos, mora no Canto dos Gonçalves, zona rural de Poço Fundo – MG. Faz 14 anos que ele produz no sistema de manejo orgânico as suas hortaliças e o certificado participativo, ele possui há 04.

A certificação participativa para Claudimar tem importância por ser a garantia aos consumidores de que seus produtos são produzidos livres de agrotóxicos. É a garantia de uma alimentação saudável.

Desde a época em que trabalhava com o manejo orgânico sem o certificado, Claudimar comercializada para a merenda escolar por meio do PNAE. Depois da certificação, continuou nestes mercados, e atualmente, comercializa também, pela COOPFAM.

O interesse pela produção orgânica se fez na vontade em ter uma alimentação mais saudável, não só para Claudimar e sua família, mas para toda a população. E para ele, a produção orgânica representa tudo relacionado a uma boa saúde, garantida por meio do consumo de alimentos saudáveis. Para quem consome e para ele e sua família, a importância do consumo de orgânicos se dá no acesso aos alimentos livre de agrotóxicos.

Para Claudimar, a proximidade entre quem produz e quem consomem, faz-se na facilidade de acesso aos alimentos por parte dos consumidores, e também, em um preço justo pelos alimentos. De mesmo modo que, para ele, a comercialização direta representa maior valorização de seus produtos e geração de renda de forma justa.

Claudimar diz que para o fortalecimento da comercialização de orgânicos, as pessoas devem olhar com mais atenção para estes produtos, pois eles estão aliados a uma mudança de consciência: “[…] A partir do momento que você parte para esse lado e põe na cabeça, muda muita coisa. Inclusive, qualidade, no caso, a mentalidade do ser humano em si. Eu acho que deveria se dar mais atenção, porque é o consumo de produtos bem diferenciados!”.

Sr. João

João Gonçalves, 66 anos, vive no Sítio Cardoso no município de Poço Fundo – MG. Mais conhecido como Sr. João, ele é um dos agricultores pioneiros na construção do que hoje é a COOPFAM, que antes era a Associação dos Pequenos Produtores de Poço Fundo.

Desde o início da trajetória da COOPFAM, Sr. João diz que ele junto a um grupo de produtores(as), sempre lutaram para que a Cooperativa diversificasse a sua produção. Desta luta que tem sido conquistada aos poucos, Sr. João diz que desde sempre, assim, faz sua produção de hortaliças e legumes no sistema de manejo orgânico.

O certificado participativo está com Sr. João há cerca de 05 anos e ele comercializa seus produtos em Poços de Caldas, em feira em Alfenas, na COOPFAM e para amigos que acreditam no propósito da agricultura orgânica.

A importância da produção orgânica para o Sr. João se faz na vida. Preservação dos animais, da natureza, das águas. Ser um aliado no equilíbrio ecossistêmico e na preservação da agrobiodiversidade. Ele diz ter muito orgulho de trabalhar nesta frente da agricultura. A importância que vê é tanta, que a saúde é primordial nesta relação entre quem produz e quem consome.

Sr. João acredita muito também na relação próxima que há na comercialização dos alimentos. Quem consome, conhecer quem produz e a origem de seus alimentos e para os(as) produtores(as), conhecer quem consome o que é produzido com tanto carinho e consciência na roça. Acredita que esta relação valoriza a produção e não explora no preço nem quem consome nem quem produz. Acredita na solidariedade que há no preço justo e no comércio justo. Esta relação desperta também a confiança, pois, o certificado participativo é a garantia para o consumidor de que seus produtos são realmente produzidos no manejo orgânico.

Para quem acessa e for acessar aos seus produtos, Sr. João gostaria que todas as pessoas valorizassem muito o trabalho dos(as) agricultores(as), pois, para ele, a importância é tanta quanto a de um médico. Se para Sr. João o médico trata a doença, o(a) agricultor(a) a previne, de modo a proporcionar as pessoas o acesso à alimentos saudáveis e que auxiliam na prevenção de doenças. A importância que há no trabalho de Sr. João e tantos(as) outros(as) agricultores(as) em sua visão, é imensa; é um poder de transformação social e para com o meio ambiente: “É muito importante o nosso produto para quem consome e para nós também, porque a gente está tendo a certeza de que está produzindo um bem para a sociedade. Apesar de ser pequena a parcela, mas é um bem né?!

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